O que dizem MP, PF, adversários e imprensa
MP-RJ e PF, nas peças de investigação; Lula e o PT, na campanha; Marcelo Freixo; o editorial do Estadão; reportagens de Folha, O Globo, Estadão, piauí, ICL e Intercept.
Fato
As homenagens a Adriano e a Ronald vieram depois de cada um ter problemas com a Justiça.
A Medalha Tiradentes foi proposta e aprovada em 2005 com Adriano preso desde janeiro de 2004, acusado de homicídio. A moção a Ronald, de março de 2004, veio três meses depois da Chacina da Via Show, de que ele era suspeito e pela qual foi condenado em 2022.
Flávio diz que homenageou “centenas e centenas de policiais militares” e que Adriano “sofria uma injustiça, reconhecida com sua absolvição”. A moção a Adriano, de outubro de 2003, é anterior à prisão.
Fontes:
Alerj, PR 1067/2005,
Alerj, Moção 3180/2004,
Aos Fatos,
Agência Brasil
Fato
A família de Adriano ficou no gabinete por anos, indicada por um colega de batalhão dele.
A ex-mulher de Adriano ficou onze anos no gabinete (2007 a 2018), e a mãe, de 2016 a 2018. Quem indicou as duas foi Queiroz, que serviu com Adriano no 18º BPM e era assessor de Flávio. A Lupa classificou como verdadeira a fala de Lula sobre o emprego.
Flávio diz que a contratação foi indicação de Queiroz e que não pode ser responsabilizado por fatos que desconhecia: “Aqueles que cometem erros devem responder por seus atos”.
Fontes:
Congresso em Foco,
JB,
Lupa
Alegação
Segundo o MP, parte dos salários delas voltava a Queiroz e passava por contas de Adriano.
No pedido de buscas de dezembro de 2019, o MP-RJ disse que as duas receberam cerca de R$ 1 milhão em salários, devolveram cerca de R$ 203 mil a Queiroz e que R$ 115 mil passaram por contas controladas por Adriano. Os números entraram na denúncia de 2020, que tinha Flávio entre os acusados.
As provas que sustentavam esses números foram anuladas em 2021, e a denúncia foi rejeitada em 2022. A acusação nunca foi julgada.
Fontes:
Wikipédia, citando O Globo e UOL,
Metrópoles,
Brasil de Fato
Alegação
Segundo a PF, um condenado do caso Marielle pediu uma emenda pelo gabinete de Flávio, e ela foi paga.
As mensagens do celular de Peixe mostram o pedido à secretária parlamentar “Fafá” (“vê se o Senador consegue nos agraciar”) e a resposta dela (“Reforça o pedido com o senador”). A emenda de R$ 199.999,79 foi paga em 29/11/2023. Para Lula, “a verdade sobre quem apoia e financia milicianos vem à tona”.
Flávio não foi alvo dos mandados da Operação Emendatio. Ele diz que a emenda seguiu a lei e que a execução cabe à entidade.
Fontes:
CNN Brasil, via Itatiaia,
Diário de Pernambuco,
Poder360, 24/09/2026
Opinião
O discurso de 2007 e a oposição à CPI mostram uma posição antiga a favor das milícias.
Em 2007, Flávio disse na Alerj que não se podia “estigmatizar” as milícias e as chamou de “novo tipo de policiamento”; em 2007 e 2008, discursou contra a CPI das Milícias. Em editorial de 23/09/2026, o Estadão considerou “extremamente preocupante” que um candidato à Presidência tenha mantido “vínculo tão próximo” com um miliciano condenado pelo Supremo.
Flávio diz que é contra milícias e que, em 2007, “estava começando uma discussão sobre o que era isso”. Em 2008, atribuiu as milícias ao “descaso do Estado”.
Fontes:
Estadão Conteúdo, via Terra,
Estadão, editorial,
Brasil de Fato
Alegação
As alianças de 2025 e 2026 repetem a proximidade com acusados.
Márcio Canella, lançado por Flávio ao Senado, foi preso em 15/10 como “patrono político” de uma organização criminosa, segundo a PF. Rodrigo Bacellar, com quem Flávio tratou de apoio em 2025, é réu no STF. Gutemberg Fonseca, que ele indicou para uma secretaria, aparece em mensagens de um chefe do CV interceptadas pela PF. O candidato Renan Santos disse que “o Flávio Bolsonaro apoiava o Bacellar, o Bacellar e o TH Joias, que são do Comando Vermelho”, sem citar documento.
Flávio não é investigado em nenhum desses casos, e o TSE mandou remover posts que o ligavam à Unha e Carne por “associação indireta e encadeamento de fatos”. Sobre as prisões, disse que as pessoas têm “o direito de se defender”.
Fontes:
Correio da Manhã,
Folha de Pernambuco: Agência O Globo, via Folha PE,
Poder360,
O Liberal
O que dizem Flávio, a defesa e a campanha
Flávio, em notas, entrevistas e no debate da Band; a assessoria do gabinete; a campanha de 2026.
Análise · piauí
Foram centenas de homenagens a policiais, e os que viraram réus são minoria.
Segundo levantamento da piauí, Flávio fez 527 homenagens a agentes de segurança entre 2003 e 2018; ao menos 23 dos homenageados viraram réus ou foram condenados depois, cerca de 4%. A campanha diz que as moções seguiam relatórios operacionais dos comandantes de batalhão e que Flávio não conhecia as investigações posteriores.
Nos dois casos mais graves, a homenagem veio depois do problema: Adriano estava preso quando a medalha foi proposta e aprovada, e Ronald já era suspeito da Via Show. O levantamento foi lido aqui só pela reprodução no A Tarde e no Brasil de Fato.
Fontes:
A Tarde,
Brasil de Fato,
Agência Brasil
Fato
A contratação foi indicação de Queiroz, e Flávio não responde pelos atos de ex-assessores.
Queiroz admitiu ter indicado as duas “por solidariedade à família”. Quando a mãe de Adriano foi denunciada de novo, em 2026, a assessoria disse que ela ter sido assessora “cerca de 10 anos atrás” não vincula Flávio “a responder pelos atos dela”. Ele não é parte dessa denúncia nem da ação de improbidade contra os ex-assessores.
Os cargos eram do gabinete dele, e Queiroz continua no entorno: em 2026, pede voto para Flávio nas redes.
Fontes:
JB,
Metrópoles,
Revista Fórum
Fato
A acusação da rachadinha caiu na Justiça.
O STJ e o STF anularam as provas em 2021, o TJ-RJ rejeitou a denúncia em 16/05/2022 a pedido do próprio MP-RJ, e Gilmar Mendes negou os últimos recursos em 26/02/2025. A defesa chama o caso de “espuma”.
As anulações foram por foro e por falta de fundamentação nas quebras de sigilo, não por inocência declarada. O mérito nunca foi julgado, uma nova denúncia segue possível com provas novas, e os ex-assessores respondem por improbidade.
Fontes:
Conjur,
InfoMoney,
ICL Notícias: Folhapress, via ICL
Alegação
A emenda seguiu as regras, e a execução cabe à entidade.
A nota de 22/09/2026 diz que a emenda “foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte” e que “a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar”. Em maio, a assessoria disse que o dinheiro deu a crianças em situação de vulnerabilidade “acesso a atividades esportivas”.
A nota não tratou das conversas da assessora com Peixe, que são o ponto da investigação. O editorial do Estadão chamou a resposta de “protocolar”.
Fontes:
CNN Brasil, via Itatiaia,
InfoMoney,
Estadão, editorial
Opinião
Flávio é contra milícias, e as frases de 2007 foram tiradas de contexto.
Em 2019, disse: “Eu sou contra milícias” e “Eu sempre fiz a defesa dos profissionais de segurança pública”. Em 2026, a campanha diz que ele repudia “qualquer modalidade de grupo paramilitar”, e ele promete tratar CV, PCC e milícias como grupos terroristas.
Os críticos lembram que ele nunca negou as falas de 2007, que discursou contra a CPI das Milícias e que, como deputado, homenageou policiais depois acusados de chefiar milícia.
Fontes:
Estadão Conteúdo, via Terra,
Brasil de Fato,
Poder360
Fato
Ele nunca foi acusado de ligação com milícia, e a Justiça Eleitoral barrou associações sem base.
Flávio nunca foi denunciado por ligação com milícia e não é investigado em nenhum caso desta página. O TSE mandou remover posts que o ligavam à Unha e Carne, deu a ele direito de resposta contra um texto da campanha de Lula e suspendeu uma propaganda que dizia que ele “faz parte do crime”. Parte do que circula é falso, como a foto de 2019 com um ator.
O TSE aplicou o mesmo critério contra Flávio, que teve posts removidos por ligar Lula a facções sem base. E nenhuma decisão encontrada puniu a divulgação, com data e fonte, das homenagens, dos empregos ou da emenda, que os checadores confirmaram.
Fontes:
Congresso em Foco,
Metrópoles,
Aos Fatos,
CNN Brasil